Historia Vermelha

domingo, 27 de junho de 2010

100 ANOS DE PAGU

Por Bráulio Wanderley


Patrícia Galvão PAGU (1910-1962).

Patrícia Galvão, não quem 'roubou' Oswald de Andrade de Tarsila do Amaral e com ele se casou no cemitério da Consolação-SP e com quem teve seu filho Rudá, mas a mulher de vanguarda, guerreira, escritora do movimento antropofágico e comunista do antigo PCB.

Em 1931 Pagu e Oswald fundaram O Pasquim, no qual ela triunfava numa coluna feminista: A mulher do povo, onde criticava o machismo, tachado por ela de provincianismo pequeno-burguês. A experiência d'O Pasquim durou apenas 8 edições, fechado por estudantes de direito do Largo do São Francisco.

Ainda nesse ano, Pagu foi a primeira presa política da história brasileira após protesto de comunistas proletários na greve de estivadores em Santos.

Dois anos depois, Pagu escreveu Parque Industrial e saiu do Brasil. Chegou a morar nos EEUU, na França, na Alemanha, na China e na União Soviética. Sendo correspondente do jornais: Correio da Manhã, Diário de Notícias e A Notícia.

Em 1935, Pagu é presa novamente pela polícia política de Vargas. Liberta em 1940, rompe com o PCB e entra numa crise existêncial (chegando a tentar o suicídio em 1950), ao afirmar que não iria sair da luta. Quando em 1945 se reune com Mário Pedrosa na edição do jornal Vanguarda Socialista, de linha trotskista.

Nos anos 1950, Pagu tenta, sem sucesso, ser deputada estadual pelo PSB no estado de São Paulo, mas sem sucesso. Transtornada pelo câncer, Pagu vai à França e quando percebe a irreversibilidade do quadro, tenta novamente o suicídio.

Pagu morre em 1962, num momento em que sua contribuição cultural nos forneceu a bossa nova, o cinema novo, o teatro de revista, Guimarães Rosa. Tempos de Brasília se iniciaram.

Nossa singela homenagem a Pagu que aniversaria seu centenário no dia 14 de julho, e a tantas outras que revolucionam os nossos tempos.

OBRAS:

Parque industrial (romance proletário, sob o pseudônimo de Mara Lobo). São Paulo: Edição da autora, 1933.

A famosa revista (romance). Rio de Janeiro: Americ-Edit., 1945. (Escrito em parceria com Geraldo Ferraz).

Verdade e liberdade (panfleto político). Edição do Comitê Pró-Candidatura Patrícia Galvão. São Paulo, 1950.

A famosa revista. 2ª ed., São Paulo: Livraria José Olympio Editora, 1959. (Publicado em conjunto com Doramundo, de Geraldo Ferraz, sob o título geral de Dois romances.)

O "álbum de Pagu" ou Pagu - Nascimento, vida, paixão e morte (1929). Publicado nas revistas Código nº 2, Salvador, 1975 e Através nº 2, Duas Cidades; São Paulo, 1978.

Parque industrial. Reeditado em fac-símile, salvo a capa, com apresentação de Geraldo Galvão Ferraz. Editora Alternativa: São Paulo, 1981.

Parque industrial. 3ª ed., Porto Alegre: Mercado Aberto; São Paulo: EDUFSCar, 1994. (Novelas Exemplares).

Safra macabra. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998.

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