Simplesmente Pagú



“Mulher de ferro com zonas erógenas e aparelho digestivo” (pág. 70). Assim se autodefine Patrícia Galvão, polêmica é pouco quando se fala dessa mulher que virou personagem de novela, de filmes, tema de música e é, sem dúvida, uma das figuras femininas mais intensas existentes na história da política e intelectualismo de nosso país. Embora na atualidade, quando se fala em ‘Pagu’, poucas sejam as pessoas que saibam efetivamente quem foi essa mulher: revolucionária, feminista, militante política, intelectual de grande produção e uma das representantes do modernismo brasileiro que, no centenário do seu nascimento (1910-2010), merece ter sua história revisitada.
Acredito que a melhor maneira de conhecermos um pouco dessa grande personagem é por ela mesma, e o livro “Paixão Pagu – a autobiografia precoce de Patrícia Galvão” faz isso de forma esplêndida, trata-se de uma autobiografia sem a pretensão inicial de o ser. Compilado a partir de uma carta dela destinada ao segundo marido, o escritor e jornalista Geraldo Ferraz, em 1940, sendo que suas ultimas linhas foram escritas ainda na prisão. A ultima das vinte e três que sofreu. O livro traz três introduções, dos filhos Rudá (dela com Oswald de Andrade) e Geraldo (com Geraldo Ferraz) e outra de David Jackson (especialista em literatura de língua portuguesa e, em particular, da obra de Patrícia Galvão). Além de fotos de alguns momentos da vida de Pagu, a obra traz uma cronologia, que ajuda o leitor a se situar melhor nos fatos que são narrados por ela.
O texto é forte, pois se trata de uma carta depoimento, ela usa essa forma para se “apresentar” ao marido Geraldo; é praticamente um convite para que ele sofra e viva com ela todas as suas lutas, acertos e erros. Assim, nada é suprimido, termos, palavras, sentimentos, pensamentos tudo vai brotando nas páginas deste livro onde o leitor se depara com várias sensações e, se não tem nenhum conhecimento prévio sobre Pagu, vai construindo uma personagem que, muitas vezes, nem parece ter sido real. São relatos de suas memórias, de quem era e de como se transformou no decorrer de sua luta, ao escrever a última linha, muito jovem ainda, com apenas trinta anos, parece ser a história de uma vida, tamanha a intensidade e a vivência dos fatos descritos. Em alguns momentos o leitor vai se chocar, pois Pagu é de uma autenticidade que incomoda, ela se apresenta como uma mulher simples a procura de um amor verdadeiro, na continuidade do relato percebemos que ela anseia por sentimentos verdadeiros, não somente um amor, ela busca uma pureza de atos que destoa do mundo pequeno burguês em que vive.
Moderna demais para um mundo de mente estreita, mulher forte num período em que as mulheres não tinham essa prerrogativa; num Brasil pré-moderno, onde elas não tinham voz nem vez. Assim, uma figura que foge as regras, burla as normas impostas pelo paternalismo do estado nacional, em plenos anos 30/40, só poderia passar para a história como irresponsável e exibicionista. Incompreendida pela família e o meio que a cerca, suas inquietações a levam de encontro com a antropofagia modernista e a produção intelectual. Busca a diversidade.
O livro vai relatando os compassos e descompassos dessa busca, um misto de ingenuidade e loucura, em seu texto existe uma mescla de poesia, romance e conto policial. Algo de trágico surge na historia que vai se desenrolando a cada frase, ela mesma diz que sempre achou sua vida trágica e, mesmo considerando que, ao escrever, essa vertente desapareça, ao leitor, algumas passagens são de uma crudeza que a tragédia salta aos olhos.
De início, essa carta-relatório fala de sua vida pessoal, desde as primeiras experiências sexuais aos doze anos, “o primeiro fato distintamente consciente da minha vida (...)” (pág. 53), como de suas impressões em relação ao mundo que a rodeava, onde tudo era uma inquietação, uma procura incessante por algo que não sabia identificar/compreender. Diz que, embora tenham morado muitos anos no Brás, um bairro tipicamente operário de São Paulo, não tinha interesses em relação às questões sociais, considerava-se muito egocêntrica neste período que antecede sua formação no curso normal, o mundo lhe era indiferente, existia uma rebeldia sem razão de ser. “Naquele tempo eu é que não compreendia o ambiente. Eu me lembro que me considerava muito boa e todos me achavam ruim.” (pág. 53). Buscava uma liberdade de ação. É nesse momento da vida que conhece Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, da qual Oswald irá se separar para ficar com Pagu. A narrativa é cheia de sentimentos fortes. A figura de Oswald de Andrade destoa do estereótipo construído, por ele mesmo naquele período e, conhecido até os dias atuais, “O palhaço da burguesia” (pág. 12). Pagu conheceu e fala dele como ninguém. Relata um inicio de relação conturbada e sem amor “Eu não amava Oswald. Só afinidades destrutivas nos ligavam.” (pg. 60)
Mesmo o conhecendo bem, em determinados momentos chegou a acreditar num amor a ser construído, mas sofre algumas decepções. Grávida e de casamento marcado para o dia seguinte, encontra Oswald num apartamento acompanhado de outra mulher. Tinham uma relação aberta, moderna e liberal, era essa imagem de mulher/companheira que ele passava para todos, inclusive para suas parceiras de sexo, uma permissividade indiferente a tudo, até de sentimentos. Mesmo compreendendo a poligamia como conseqüência da representação familiar reacionária e preconceituosa, Pagu sofreu. Seu sofrimento é racional, deixa claro que preferia isso à piedade “Sentia meu carinho atacado violentamente, mas havia a imensa gratidão pela brutalidade da franqueza. Ainda hoje o meu agradecimento vai para o homem que nunca me ofendeu com piedade.” (pág. 63). Ela queria amor, Oswald lhe tinha admiração.
Ao falar do filho Rudá o texto assume algo poético/filosófico. Ao mesmo tempo em que demonstra o amor materno que transborda, mostra todos os medos de uma mulher insegura, torturada num casamento sem amor e uma vida de aparências. Ela tem uma insatisfação com sua vida sem propósitos reais, intensos. É neste contexto de infelicidade pessoal que sua necessidade de luta surge. Através de seus contatos com a intelectualidade, parte para Montevidéu, depois para Buenos Aires onde tem programado um encontro com Prestes, deixando Oswald e o filho. Tinha pouco conhecimento sobre a doutrina marxista, mas procura em Prestes algumas respostas para suas buscas. Suas impressões em relação ao seleto grupo de intelectuais no qual é inserida na Argentina são bem inesperadas, pois ela diz que, apesar de viver entre eles, considerava-os sórdidos, alega que esperava muito mais do “setor mais vivo da América do Sul” (pág. 73).
Seu encontro com Prestes não acontece, volta ao Brasil por conta de problemas de saúde do filho, mas retoma seu interesse pelo comunismo, tendo Oswald como companheiro. Mesmo sem muito conhecimento e convicção, criaram o jornal Homem do povo que não sobreviveu por conta de processos e represálias. Fazem um auto-exilio e seguem juntos para Montevidéu onde Pagu, finalmente, se encontra com Luis Carlos Prestes. Um encontro sem planejamento, mas que veio a transformar a forma de pensar dessa mulher irrequieta. Ele “Fez-me ciente da verdade revolucionária e acenou-me com a fé nova. A alegria da fé nova. A infinita alegria de combater até o aniquilamento pela causa dos trabalhadores, pelo bem geral da humanidade.” (pág. 75). Esse encontro foi à mola que a impulsionou para a luta política. Queria ser comunista com a mesma convicção e honestidade de Prestes, porem vai sofrer do mesmo mal que a maioria dos intelectuais de esquerda, partir da teoria para a ação.
Sendo ela um espírito inquieto em eterna busca, essa paralisação diante da impossibilidade de ação ao invés de tirar lhe o ânimo, a angustiava. “Meia dúzia de comunistas vivendo em cafés. O que faziam estes comunistas conhecidos, se não saíam dos cafés?” (pág. 77). Tem seus primeiros contatos com o operariado em Santos, onde se depara com um ambiente pré-grevista orientado pelo sindicato da construção civil. Seu encontro com Herculano de Souza, um comunista ativo e bem articulado, fez com que se inserisse de corpo e alma na luta do partido. “Perturbada, desde esse dia, resolvi escravizar-me espontaneamente, violentamente. O marxismo. A luta de classes. A libertação dos trabalhadores. Por um mundo de verdade e de justiça. Lutar por isto valia uma vida. Valia a vida.” (pág. 81).
O comício na Praça da República em Santos, onde falaria pela primeira vez aos trabalhadores, é um marco em sua historia revolucionária. A polícia tinha membros disfarçados e infiltrados entre os operários presentes e, para impedir a realização do comício, começou a atirar na multidão. Herculano um dos líderes do movimento foi atingido nas costas, vindo a falecer momentos depois, mas não antes de pedir-lhe que continuasse o comício. As lembranças e descrição do ocorrido são tão fortes que o leitor cria uma imagem de guerra na memória, soldados atirando contra uma multidão armada apenas com a voz, sonhos e bandeiras vermelhas. A cavalaria toma conta da praça e Pagu é presa. Ela alega que muito do que se falou sobre sua participação foi por se tratar de uma comunista com origem pequeno burguesa que, ao ser presa, transformou tudo num fato que precisava ser explorado. Mas a descrição do seu discurso de improviso, falando da alma, das coisas que ela realmente acreditava e sentia, faz o leitor criar na memória cada segundo daquele momento de paixão, ideologia e sofrimento.
O exagero na divulgação de sua participação, fez com que a organização do partido circulasse um manifesto acentuando “a desordem provocada por mim, que eu tinha falado sem conhecimento ou autorização da organização, com intento provocador, etc.” (pág. 91). Mesmo sendo deliberadamente humilhada, aprova o manifesto, pois estava disposta a cumprir com todas as determinações do partido, acredita que neste caso, seu nome apareceu mais que o da organização. Mesmo na prisão, onde o sofrimento foi intenso, diz que a dor fora suplantada pela alegria proporcionada pela luta. O único tormento era não ter notícias dos companheiros.
Seu envolvimento com o partido vai sendo descrito de forma rápida, como se a vivência daqueles dias ainda estivesse presente a cada palavra. Suas prisões, as primeiras impressões sobre a doutrina do partido, o fim da sua vida pessoal, as armadilhas da polícia. Dando a impressão de que, finalmente, tenha conseguido colocar um fim na sua inquietação interna, de ter encontrado uma motivação para a vida, de estar feliz.
Todas as suas escolhas são pautadas pela organização, pelo partido. Para ser considerada proletária, se vê obrigada a abandonar, definitivamente, Oswald pra quem voltou após sair da prisão, e com isso abandona, também, o filho. “Sofri horrivelmente deixando o Rudá. Eu sei o que sofri com isto, mas não houve de minha parte a menor hesitação. Talvez não o amasse tanto como julgava. (...).” (pág. 95). Embora tenha feito a opção pelo partido, ela não consegue ter a aprovação da organização, nem a crença nas suas intenções e fidelidade à causa. Em alguns momentos diz ter se submetido a caprichos sexuais para conseguir as informações desejadas. Nada lhe pertencia, tudo era do partido, inclusive seu corpo, mesmo assim, não tinha o crédito almejado. Herança de sua condição pequeno burguesa.
Ao ler estas páginas tem-se a impressão que Pagu sofreu todas as dores do mundo, sempre movida pela fé na causa revolucionária. Em contrapartida nada recebe em troca por parte do partido. Em vários momentos o leitor irá se irritar com as escolhas feitas por ela, uma ingenuidade que revolta, ao mesmo tempo em que enternece pela fé depositada numa causa. Assim, algumas separações e retornos para Oswald são feitos por vontade da organização. São momentos de amor e dor, pois são encontros e desencontros com o filho e, por mais que deseje ficar, ela sabe que irá abandoná-lo ao menor sinal ou determinação do partido.
Mesmo a possibilidade de empregar-se num jornal lhe é negada, pois a organização não aceita seu trabalho intelectual, alegam que ela tem que aceitar a proletarização, para poder participar da luta do partido. Essa postura muda apenas no momento em que se torna operária de uma metalúrgica. “Com o meu avental xadrez, com as mãos feridas, o rosto negro de pó, fui considerada comunista sincera.” (pág. 99). O reconhecimento de sua dedicação, lhe rende a participação na Conferência Nacional do partido onde conhece os “chefes supremos” do Partido Comunista Brasileiro e da Internacional no Brasil. Fome, dor, desconforto e duas horas de sono em cinco dias de conferência. Tudo perfeitamente justificável pela causa ali defendida. “O proletariado brasileiro guiado por uma vanguarda daquela têmpera se libertaria, seria vitorioso, dentro de pouco tempo.” (pág. 102).
Mesmo já tendo sido reconhecida sua dedicação, sofre novo afastamento. Agora por conta de sua intelectualidade que é anterior a militância, a direção do partido procura afastar todos os que não possuem origem proletária, devido ao comportamento de um casal de intelectuais que se envolvem emocionalmente, indo contra as diretrizes do partido. Embora de espírito questionador, Pagu, mesmo discordando, aceita todas as determinações com resignação, toma tudo como o melhor a ser feito. Trabalha intelectualmente na clandestinidade, é nesse período que publica Parque industrial, considerado o primeiro romance proletário brasileiro, sob o pseudônimo de Mara Lobo.
Volta ao partido, agora inserida no “Comitê Fantasma, o organismo de máxima ilegalidade do partido.” (pág. 106). A descrição da movimentação desse braço da organização é no mínimo revoltante, seus membros são de índole duvidosa, e as informações solicitadas eram as mais incomuns e muitas vezes sem sentido, mas que para adquiri-las eram usados qualquer subterfúgio. Era o que se esperava dela, que usasse de todas as possibilidades para obter as informações necessárias ao partido, inclusive seu próprio corpo. “(...) eis-me membro do Comitê Fantasma, obrigada à dissimulação, à intriga, ao fingimento, a toda espécie de maquiavelismo repugnante...” (pág. 117). Mesmo se sentindo usada e não concordando com algumas coisas, a sua fé na luta era inabalável.
Depois de sofrer novo afastamento, sem explicação, decide juntamente com Oswald, sair do Brasil. A organização do partido, sabendo da sua viajem, a designa para ir à Rússia, com seus próprios recursos, fornecem apenas os documentos. Começa assim suas viagens pelo mundo. EUA, Japão, China e Rússia. No texto não há grandes relatos dessas viagens, apenas algumas impressões, algumas descritas como sem importância total. Não havia novidades para ela, parecia tudo igual no mundo, até chegar à China. Lá, sua percepção a respeito das condições de vida da população chinesa a atormenta, incendiando de vez seu desejo pela revolução, pela salvação dos oprimidos “É tudo tão miseravelmente absurdo, que eu nunca tive coragem de narrar o que encontrei ali. A mentira, a fabula grotesca me horroriza pelo ridículo e eu mesma penso que tudo que vi foi mentira.” (pág. 144). Sua experiência com as drogas é narrada neste período de total descrédito do mundo.
Ao chegar a Sibéria todo o mal estar adquirido na China se esvai, sua alegria ao entrar no país onde o ideal revolucionário, teoricamente, esta se concretizando, onde o comunismo iguala a todos num bem estar comum, faz com que sinta a vida soprar em seu rosto. Seu deslumbramento é instantâneo, embora consciente do seu fanatismo, chora diante do túmulo de Lênin. Percebe alguns sinais de que nem tudo é do jeito que se apresenta aos seus olhos, mas prefere crer no seu coração, naquilo que buscou durante tanto tempo. Necessitava crer que a revolução dera certo em algum lugar no mundo, para assim crer que no Brasil, mesmo com muitos tropeços, também viria a ser real. Porem acontece o que ela menos espera, se encontra com uma criança faminta, maltrapilha, com saúde visivelmente abalada, pedindo esmolas pelas ruas de Moscou.
Neste momento ela se depara com a realidade nua e crua, que seu fanatismo não deixava enxergar, não considera sua luta equivocada, mas percebe que nem todos os sonhos são possíveis. Sofre na alma a dor de não conseguir ver os ideais comunistas atingindo quem, no seu ponto de vista, deveriam ser os mais protegidos: as crianças. Por tudo que sofreu em sua vida, pelas crianças da China, que a abalaram profundamente, por seu filho, do qual não cuidara da forma que considerava ideal, pela fé incondicional na causa, grande é sua decepção. O leitor sofre com Pagu, chora e se revolta por ela. De repente, tudo que nossos olhos enxergam no transcorrer da leitura deste texto, explodem diante dos olhos dela, como personagem real da história, uma história sem rascunhos, sem cópias, única. Ela se vê consumida como pessoa, que tudo abandonou para viver a luta proletária, para concretizar os ideais comunistas. Todo este mundo caiu por terra ao ver aquela criança sem lar, sem comida, sem saúde diante dela. Impossível pra quem esta lendo sua narrativa, absorver toda a decepção sentida “Então a Revolução se fez para isto? Para que continuem a humilhação e a miséria das crianças?” (pág. 150). Ao leitor fica a angustia de saber que se trata do mundo real, e não uma ficção muito bem escrita.
Pagu não abandona o partido, passa a trabalhar com a produção intelectual, colabora com jornais e revistas ainda na França. È presa em manifestações de rua. Volta ao Brasil e, em 1937, depois de uma condenação de dois anos de prisão por causa do levante comunista, foge da prisão e é considerada perigosa e inimiga pública do governo Vargas. Embora este período não faça parte dos relatos, percebe-se que a vida toda ela foi contestadora, corajosa e apaixonada. Mulher forte que cometeu muitos erros na vida, mas todos cometidos em busca de grandes acertos, acertos estes que atingissem a muitos, ao mundo. Embora em sua escrita, perceba-se uma tendência minimalista, ela foi muito mais do que deixa transparecer ao falar de si mesma. Pagu é merecedora de fazer parte da história política nacional, mas a história real, sem retoques. Merece ser vista por ela mesma, para que se chegue a conclusões próprias, este relatório é um convite que ela faz ao marido Geraldo para conhecê-la melhor e, no momento que seus filhos decidem publicá-lo, é estendido a todos que se interessam pelos personagens que marcaram nossa história. Conheçam Patrícia Galvão ou, simplesmente Pagu.GALVÃO, Patrícia. Paixão Pagu: uma autobiografia precoce de Patrícia Galvão. Org.: Geraldo Galvão Ferraz, 1ª edição. Rio de Janeiro: Agir Editora, 2005.
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Simplesmente Pagu: Resenha do livro ''Paixão Pagu - A autobiografia precoce de Patricia Galvão'' publicado 28/10/2010 por eliane aparecida de oliveira em http://www.webartigos.com



 

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