Estado mudará carga horária de professor e salário irá a R$ 1.560, diz secretário

http://odia.terra.com.br/portal/economia/html/2011/7/estado_mudara_carga_horaria_de_professor_e_salario_ira_a_r_1_560_diz_secretario_178229.html Rio - Professores da rede estadual de ensino poderão ter carga horária semanal de 30 horas, em substituição às 16 horas que estão em vigor. Com a mudança, o salário base vai mudar de R$ 836 para R$ 1.560. A medida está em estudo na Secretaria Estadual de Educação e a regra valerá para os futuros 3.500 professores aprovados em concurso que ainda será realizado nesse semestre. A novidade é que os atuais 51 mil professores regentes também poderão optar pela nova carga horária. As regras da migração serão divulgadas pela pasta. Segundo o secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, a mudança tem o objetivo de incentivar o professor a dedicar mais tempo de trabalho à rede estadual de ensino. O impacto no orçamento do estado está sendo calculado pela Secretaria de Planejamento e Gestão. Risolia informou que é necessário partir do princípio que os 51 mil professores vão aceitar a proposta. "Precisamos fidelizar o professor e é por isso que estamos aumentando a carga horária. Faz sentido subir a carga horária, principalmente, pelas mudanças que estamos implementando. Preciso de professores para o contra turno (aulas de reforço) e para a nossa meta de oferecer 100% da rede com ensino profissional até 2023. É necessário sincronia", explicou Risolia. A rede estadual terá reforço, no segundo semestre, de 3 mil novos professores que já estão em treinamento. "Isso será fundamental para diminuir a defasagem", disse o secretário. Esses professores chegam para substituir os 2.376 que saíram no primeiro semestre. Segundo Risolia, 90% dos pedidos foram de aposentadoria. BENEFÍCIOS PAGOS EM 2011 Os 4.500 professores que participam do programa de qualificação tiveram ontem a primeira aula. Durante o curso, cada professor vai receber bolsa no valor de R$ 300. O novo valor da gratificação paga pelo Difícil Acesso (R$ 300), deve ser implementado a partir de agosto. Já a partir desse mês a GLP (Gratificação por Lotação Prioritária) será reajustada. Vai de R$ 514 para R$ 636. Adicional de 62%. Em 2011 os professores começaram a receber auxílio-transporte. O auxílio-qualificação, de R$ 500, já foi entregue aos docentes. Risolia: 'Quando se interfere nos costumes, gera conflito' Em meio a greve de professores que já dura 41 dias, o secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, garantiu, em entrevista a O DIA, que continuará no cargo, se for da vontade do governador Sérgio Cabral. "Meu cargo é de confiança", diz. Mesmo com boicotes, ele manterá o sistema de avaliação da rede, o Saerjinho. O secretário adiantou que fará mudanças no EJA (Educação de Jovens e Adultos) no início de 2012 e que poderá cortar a gratificação dos servidores de escolas que não fizeram a avaliação externa. O DIA: A paralisação dos professores registrou o ponto mais crítico na semana passada, quando cerca de 500 docentes invadiram o 5º andar da Secretaria de Educação, onde fica o seu gabinete. Ao qual fato o senhor credita o ato? Pode ter relação com o fim da indicação política para os cargos de diretor? WILSON RISOLIA - Essa pergunta é complicada de responder. Acho que é mais importante falar das ações que estamos promovendo para a categoria. Mas, realmente, chama atenção. Conseguimos benefícios que a categoria não tinha. Não só do ponto de vista financeiro, mas a própria parte pedagógica, com o currículo mínimo. Além da redução da carência. Eu recebi um e-mail curioso, uma pessoa dizendo que a greve era para forçar a minha saída. Todas as nossas ações são planejadas. Temos metas para serem cumpridas em 2023. Temos ações estratégicas para corrigir problemas. Corrigimos alguns, mas teremos tantos outros. A Educação tem problemas complexos, como merenda, transporte rural, controle de frequência, entre outros. Quando se interfere naquilo que chamamos de usos e costumes, se movimenta aquilo que era uma zona de conforto. Isso pode gerar conflito. É natural, só não acho razoável chegar à esse extremo (invasão). Se não tinham algumas coisas e hoje existem. Por que isso acontece? Como todo o planejamento, temos risco na execução. Nós temos registros que alguns profissionais que invadiram a secretaria não eram da nossa rede. As escolas estaduais onde os alunos deixaram de fazer o Saerjinho por orientação dos professores vão perder a gratificação por desempenho? Estamos avaliando. A regra do pagamento do bônus referente ao resultado do Plano de Metas estabelece isso. É necessário ter frequência e participação nas avaliações. O que é extremamente errado é a informação, divulgada pelo sindicato, que o número de alunas grávidas em uma escola é fator para não pagar gratificação ao professor. O senhor pensou em deixar o cargo, devido toda essa pressão da categoria? Meu cargo é de confiança. Não tenho pretensão. Essa seria uma decisão do governador Sérgio Cabral. Este ano, 2.376 professores deixaram a rede estadual, a maioria por aposentadoria. O que está sendo feito para não deixar os alunos sem aula? Desde 2007, saíram 20 mil professores. Contratamos 33 mil, então tivemos 13 mil que ficaram na rede. Todos passaram a ganhar o Nova Escola.Precisa melhorar o salário? Precisa. Sabemos disso e já demos sinais explícitos de que há um planejamento para recuperar o salário do magistério. Atendemos grande parte da pauta do sindicato, que era o auxílio-transporte, reajuste da GLP e bolsa formação de R$ 300 para 4.500 professores. Em seis meses, começamos a resolver todo o passivo que o estado tinha com a classe. Como será feita a reposição das aulas perdidas durante a greve. Poderá haver aulas nas férias de fim de ano ou aos sábados? Dos 51 mil professores, temos 542 registros de faltosos, o que equivale a 1% da rede. Só sete escolas pararam totalmente e 81 estão funcionando parcialmente, num universo de 1.457 escolas. Mas não importa se foi uma ou 200 paradas. Todos os alunos devem ter a reposição. Cada escola terá liberdade para montar o calendário junto com as suas coordenadorias pedagógicas regionais. Reportagem de Alessandra Horto e Maria Luisa B