"O amor é filme...."



É interessante o formato de filmes que caracterizam o cinema nacional. Confesso que tenho muito o que aprender, já que aprendi a gostar de Cinema Brasileiro há tão pouco tempo... E aprendi graças a Selton Mello.

E falando no apresentador do Tarja Preta (aquele programa do Canal Brasil que te ensina História e Teoria do Cinema Brasileiro, mesmo que de forma não intencional), uma das produções que me fez enxergar o nosso cinema com "simpatia", ou como diz "O cara" do nosso Cinema, fez "encher os olhos", foi Lisbela e o Prisioneiro. Pode parecer mais uma comédia romântica interiorana e mais que comercial, mas Guel Arraes dirigiu de forma profissional. Tudo está equilibrado, nada está com exageros banais, como esse tipo de filme tende a ceder para a overdose de romantismo ou de "situações cômicas sutis". Ele foi esperto ao dirigir uma história banal, mas usando de forma inteligente a temática "filme sobre filme". Selton Mello está excelente como o malandro Leléu, bem caracterizado e com emoção na dose certa. A simpática Débora Falabella está bem como Lisbela, a mocinha sonhadora que mescla a sua vida com os filmes americanos. A vida imita a arte ou a arte imita a vida? Para Lisbela, a arte é como a vida e a vida tem que ser como nos filmes, tudo começa, prossegue e finaliza da mesma forma, com os mesmos padrões. Bruno Garcia está magistral como um pernambucano com sotaque carioca e gírias paulista. O exagero, o caricato na medida certa. Finalmente, Brasil aprende a usar uma fórmula usada no cinema americano, mas extremamente funcional, capaz de dar uma identidade a uma obra cinematográfica: a trilha sonora. Vai me dizer que não lembra de Caetano Veloso e seu "Você não me ensinou a te esquecer", tocadas nas rádios a exaustão? Mas nem tudo são músicas melosas para fixar nas AM/FM's da vida, há também o excelente Cordel do Fogo Encantado e sua maravilhosa batida, afinal o filme se passa em Recife e nada mais justo um dos grupos que é a pura identidade sonora daquele estado estar na trilha. O que dizer da inusitada união de Sepultura e Zé Ramalho em "Dança das borboletas", tema de Leléu? "O matador", de Sepultura, uma rock instrumental com a inspirada guitarra de Andreas Kisser impressiona dando um ar mais severo e um tanto melódico ao personagem Frederico Evandro do básico Marco Nanini. É uma obra do nosso cinema que entrou para a história. Se eternizou definitivamente. Vale a pena conferir seja o tempo que for...

 

OBS: Eu ainda vou conseguir recuperar "Lisbela" do Los Hermanos, cantada por Selton Mello. A dificuldade que está para achar essa gravação novamente... Maldito despejo de memória, ou seja o que for...